Cesta Básica Custa ao Menos 40% do Salário Mínimo nas Capitais Brasileiras

O custo de vida nos grandes centros urbanos do Brasil é uma questão crescentemente sensível para milhões de pessoas que vivem nas capitais. Uma pesquisa recente da Confederação Nacional de Economia (CNE) aponta que a cesta básica, conjunto de produtos e serviços essenciais para o bem-estar da população, custa ao menos 40% do salário mínimo em todas as capitais do país.

De acordo com os dados da CNE, o custo de uma cesta básica varia de 44,9% do salário mínimo na capital do Espírito Santo, Vitória, para 62,8% na capital do Acre, Rio Branco. São Paulo, cidade mais populosa do país, é a capital que apresenta o maior custo de vida, com uma cesta básica que chega a 71,6% do salário mínimo.

A cesta básica contempla produtos essenciais como alimentos, como arroz, feijão, carne, peixe e frutas; serviços como eletricidade, água e gás; e materiais de limpeza, como sabonete e xixi. Em muitas das capitais, o preço dos produtos é influenciado pelo custo de transporte, armazenagem e distribuição, o que aumenta os custos para os consumidores.

A análise da CNE também mostrou que a despesa com moradia é a principal responsável pelo aumento do custo de vida nas capitais. Em média, cerca de 40% do salário mínimo é gasto por trabalhadores em aluguéis e condomínios.

O estudo também destaca que a pobreza é um problema comum em todas as capitais, com uma parcela significativa da população vivendo abaixo da linha de pobreza. A pobreza é mais intensa em regiões Norte e Nordeste, onde o custo de vida é mais alto devido à maior distância de grandes centros urbanos e ao menor valor dos produtos agrícolas.

A crise econômica que atinge o Brasil desde 2014 também é uma das razões pelas quais a cesta básica custa mais em relação ao salário mínimo. O aumento do desemprego, a redução do poder aquisitivo da população e a política monetária mais rigorosa instalada pelo governo têm contribuído para aumentar o custo de vida nas capitais.

A necessidade de ajustes na política econômica e social brasileira é imperativa para diminuir a carga da cesta básica e melhorar a qualidade de vida das pessoas em todas as regiões do país. Isso pode ser alcançado através de investimentos em programas de habitação, subsídios à família e políticas públicas que garantam o acesso a serviços básicos, como saúde e educação.

Fonte: Confederação Nacional de Economia (CNE) – Relatório: Cesta básica custa ao menos 40% do salário mínimo nas capitais brasileiras (2022).

A.getStylelinks=”font-size: 16px; font-weight: bold;”>Levantamento de Preços de Itens de Consumo Básicos nas Capitais do País

Um levantamento realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) identificou que o custo da cesta básica aumentou em 13 das 17 cidades pesquisadas em janeiro de 2024. A maior alta foi registrada em Salvador, com um aumento de 6,22%, seguida por Belém e Fortaleza, que tiveram aumentos de 4,80% e 3,96%, respectivamente.

A cesta básica mais cara foi registrada em São Paulo, com um valor total de R$ 851,82, correspondendo a 60% do salário mínimo oficial. O salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas foi calculado em R$ 7.156,15.

O estudo também encontrou que a renda média do trabalhador brasileiro, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), era de R$ 3.279,00 em outubro de 2024. Isso sugere que o salário mínimo necessário para uma família de quatro pessoas seria de R$ 6.723,41, ou 4,76 vezes o valor vigente.

A comparação entre o custo da cesta básica e o salário mínimo é feita com base na cesta mais cara, que é a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e sua família.

As cidades do sul e sudeste estão entre as mais caras cotadas, com Florianópolis, Rio de Janeiro e Porto Alegre apresentando valores moderados. As capitais do Norte e Nordeste têm preços menores, em média, abaixo da metade do valor do salário mínimo.

A análise do Dieese identificou que o aumento da cesta básica é atribuído principalmente a três itens principais: o café em pó, que subiu em todas as cidades nos últimos 12 meses; o tomate, que aumentou em cinco cidades, mas diminuiu em outras 12 nesse período; e o pão francês, que aumentou em 16 cidades pesquisadas nos últimos 12 meses, devido a uma “menor oferta de trigo nacional e necessidade maior de importação, nesse cenário de câmbio desvalorizado”.

No entanto, o reajuste poderia ter sido maior se não fosse contido por itens como a batata, que diminuiu em todas as capitais no último ano, o leite integral, que, apesar do reajuste durante o ano, teve queda em 12 cidades em dezembro, e o arroz agulhinha e o feijão preto, que têm caído de preço nos últimos meses por conta de aumento na oferta.

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