O ex-sargento da Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro, Ronnie Lessa, que já havia sido condenado a 78 anos, 9 meses e 30 dias de prisão pelo assassinato da vereadora Marielle Franco, foi condenado novamente em um novo julgamento realizado no dia 22 de [mês não especificado] no 3º Tribunal do Júri do Rio. Desta vez, ele foi condenado a uma pena de 90 anos de reclusão pela morte do ex-policial André Henrique da Silva Souza, conhecido como Zóio, e de sua esposa, Juliana Sales Oliveira.
O crime ocorreu em junho de 2014, na comunidade da Gardênia Azul, e, segundo a denúncia do Ministério Público, Lessa teria sido contratado pelo ex-vereador Cristiano Girão para executar André Henrique, que era rival de Girão e havia chegado à comunidade com o objetivo de assumir o controle do território. Girão também foi julgado e condenado a 45 anos de prisão por ser o mandante do duplo homicídio.
Lessa e Girão acompanharam o julgamento por videoconferência, pois estão presos em diferentes unidades prisionais. Lessa cumpre pena no Presídio de Tremembé, em São Paulo, pelo assassinato de Marielle, enquanto Girão está no Complexo Penitenciário de Gericinó por participação em milícia.
A juíza Tula Corrêa de Mello, que presidiu a sessão, destacou a gravidade do crime, que foi cometido à luz do dia e em um local residencial com grande movimento comercial. Ela ressaltou que o crime foi cometido com “alta capacidade lesiva”, com pelo menos 33 disparos de fuzis AK-47 e AR-15, armamentos comumente utilizados em guerras mundiais.
A juíza também enfatizou que o crime foi planejado com detalhes, com Lessa estudando o local do crime e escolhendo o melhor horário para executar o ato. Ela escreveu em sua decisão que “o delito praticado por meio de execução requer um planejamento prévio” e que Lessa “revela o planejamento detalhado e minucioso do crime, com técnicas para montar o carro ideal, se armar e se dirigir ao local do crime somente após estudar o lugar em todas as minúcias, inclusive escolha do melhor horário”.
A condenação de Lessa e Girão é mais um capítulo na luta contra a violência e a impunidade no Rio de Janeiro, especialmente em relação às milícias que atuam nas comunidades. O caso também destaca a importância do trabalho do Ministério Público e da Justiça em investigar e punir os responsáveis por crimes graves, mesmo que eles sejam cometidos por pessoas com poder e influência.
A comunidade da Gardênia Azul, onde o crime ocorreu, é uma das muitas que são afetadas pela presença de milícias e pela violência no Rio de Janeiro. A condenação de Lessa e Girão pode ser um passo importante para a justiça e a paz na região, mas é claro que ainda há muito trabalho a ser feito para erradicar a violência e a impunidade no estado.
