Expectativa da Indústria Eletroeletrônica é Retração Neste Semestre
A indústria eletroeletrônica, que abrange uma ampla gama de produtos, desde componentes eletrônicos até dispositivos de grande porte, está enfrentando um período de incerteza e desafios. De acordo com as últimas projecções e análises do setor, a expectativa para o primeiro semestre do ano é de retração, o que pode ter implicações significativas tanto para as empresas quanto para a economia como um todo.
Causas da Retração
Várias são as razões que contribuem para essa perspectiva pessimista. Uma das principais é a redução da demanda global por produtos eletroeletrônicos, impulsionada pela desaceleração econômica em diversas regiões do mundo. Além disso, a pandemia de COVID-19, embora em sua fase de recuperação, deixou marcas profundas na cadeia de suprimentos, afetando a disponibilidade de componentes fundamentais para a produção de dispositivos eletrônicos.
Outro fator significativo é a concorrência acirrada no setor, que tem pressionado os preços e reduzido as margens de lucro das empresas. A constante evolução tecnológica também exige investimentos substanciais em pesquisa e desenvolvimento, aumentando os custos operacionais das companhias.
Impactos na Economia e no Emprego
A retração na indústria eletroeletrônica pode ter consequências econômicas e sociais importantes. Uma redução na atividade econômica do setor pode levar a uma diminuição na geração de empregos, tanto diretamente, nas empresas que compõem a indústria, quanto indiretamente, nos setores que dependem dela, como o varejo e os serviços.
Além disso, a indústria eletroeletrônica desempenha um papel crucial na inovação e no desenvolvimento de tecnologias avançadas, que são fundamentais para o crescimento econômico sustentável em longo prazo. Uma retração nesse setor pode, portanto, impactar negativamente a capacidade de uma economia se adaptar e se desenvolver em face das mudanças tecnológicas e dos desafios globais.
Estratégias para Enfrentar a Retração
Diante desse cenário, as empresas da indústria eletroeletrônica estão se esforçando para adaptar suas estratégias e minimizar os impactos negativos. Investimentos em eficiência operacional, redução de custos e diversificação de produtos e mercados são algumas das abordagens adotadas.
Além disso, a inovação e o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e de alta eficiência energeticamente podem oferecer oportunidades para as empresas se destacarem e conquistarem mercados. A colaboraçãoEntre empresas, governos e instituições de pesquisa também é vista como essencial para superar os desafios atuais e promover o crescimento sustentável do setor.
Conclusão
A expectativa de retração na indústria eletroeletrônica para o primeiro semestre do ano reflete os desafios complexos e dinâmicos que o setor enfrenta. No entanto, com resiliência, inovação e cooperação, as empresas e os governos podem trabalhar juntos para mitigar os impactos negativos e aproveitar as oportunidades que surgem em um cenário econômico em constante mudança. Enfrentar esses desafios de forma eficaz será crucial para garantir o crescimento sustentável e a competitividade da indústria eletroeletrônica nos anos vindouros.
A Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) divulgou suas projeções para o primeiro semestre de 2025, indicando uma queda de 1% em relação ao mesmo período de 2024. Essa redução é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo a piora nas condições gerais de crédito, o aumento da inflação e a instabilidade econômica.
As vendas da Linha Marrom, Linha Branca e Linha Portátil, que incluem produtos como fritadeiras, ventiladores e aspiradores autômatos, apresentaram diminuição. Em particular, os portáteis, que representam 66% das vendas do setor, tiveram uma diminuição de 6%. Já os aparelhos de ar-condicionado e a Linha TIC (lâmpadas inteligentes, monitores e outros) registraram um discreto aumento de 1%.
De acordo com a Eletros, os fatores econômicos combinados restringem e encarecem o crédito, pressionam o orçamento das famílias e geram insegurança, levando os consumidores a priorizar despesas essenciais, como alimentos e remédios, e a adiar compras de bens duráveis, como os eletroeletrônicos. Embora o setor tenha apresentado resiliência e avanços recentes, a confiança do consumidor permanece sensível ao contexto macroeconômico.
A análise do setor não desconsidera a alta elevada em 2024, com os melhores resultados em uma década, porém impactados pelo aumento de importações em equipamentos de menor valor, justamente a Linha Portátil. Para 2025, a expectativa é de que a Linha Portátil feche o ano com uma queda de 4% em relação a 2024.
O setor está apostando no resultado do setor de ar-condicionado, que está em constante aumento desde 2021. No entanto, alerta para uma dificuldade na manutenção do volume de vendas neste setor, causada por dificuldades prolongadas no abastecimento de compressores produzidos no Brasil. A produção está concentrada em um único fornecedor nacional, cuja capacidade é insuficiente para atender à demanda crescente.
O presidente da Eletros, Jorge Nascimento, afirma que “há meses o setor de ar-condicionado sofre com a escassez de compressores nacionais, um insumo essencial hoje concentrado em um único fornecedor. A política industrial imposta pelo governo federal exige compra local, mas a produção não atende à demanda. Isso limita a indústria, prejudica o consumidor e compromete o acesso da população ao conforto térmico. É urgente revisar essa regra.”
Para o segundo semestre, a associação considera que será de recuperação gradual em alguns segmentos, impulsionada por sazonalidades como a Black Friday e o Natal. No entanto, se considerarmos a manutenção dos juros em patamares recordes, a volatilidade cambial e a insegurança econômica, as vendas continuarão caindo. As empresas seguirão focadas em otimizar estoques, ampliar a eficiência produtiva e ajustar prazos de negociação com fornecedores e varejo, buscando equilíbrio entre oferta, demanda e custos.
Em resumo, o setor de eletroeletrônicos está enfrentando desafios devido à instabilidade econômica e à redução do crédito, o que está afetando as vendas de produtos como fritadeiras, ventiladores e aspiradores autômatos. No entanto, o setor de ar-condicionado está em constante aumento, mas enfrenta desafios devido à escassez de compressores nacionais. A associação está apostando na recuperação gradual no segundo semestre, impulsionada por sazonalidades, mas alerta para a necessidade de revisar a política industrial para permitir a compra de compressores externos.
