O cantor Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, conhecido como MC Poze do Rodo, tornou-se réu na Justiça do Rio de Janeiro por tortura e extorsão mediante sequestro contra seu ex-empresário, Renato Antonio Medeiros. A denúncia foi aceita pelo juiz titular da 11ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça, Guilherme Schilling Duarte, em 1º de setembro.

De acordo com a denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), o ex-empresário de MC Poze do Rodo foi submetido a intensas agressões físicas e psicológicas em fevereiro de 2023, na residência do artista, em Vargem Grande, na zona oeste do Rio. O objetivo era forçar uma confissão sobre a suposta subtração de parte de uma pulseira de ouro.

As agressões incluíram socos, chutes, queimaduras com cigarros acesos e golpes com uma arma artesanal feita de madeira e pregos. Mesmo após a devolução do objeto, Medeiros teria sido mantido em cárcere privado por aproximadamente uma hora e meia. As agressões resultaram em fraturas, lesões extensas e deformidades permanentes, conforme comprovado por laudo pericial.

Além de MC Poze do Rodo, outras seis pessoas tornaram-se réus no processo: Fábio Gean Ferreira da Silva, conhecido como Loirinho, Leonardo da Silva de Melo (Leo), Matheus Ferreira de Castilhos (Tiza), Maurício dos Santos da Silva, Rafael Souza de Andrade (Casca) e Richard Matheus da Silva Sophia.

O juiz negou o pedido de prisão preventiva dos réus, que responderão pelo crime em liberdade. Também negou o pedido de sequestro de bens do MC Poze do Rodo, no valor mínimo de R$ 300 mil para assegurar eventual indenização por danos morais e materiais a ser paga ao ex-empresário.

A defesa de MC Poze do Rodo, liderada pelo advogado Fernando Henrique Cardoso Neves, disse que espera que seu cliente seja inocentado. “A decisão que recebeu a denúncia é a mesma que afasta por completo o inusitado e incabível pedido de prisão preventiva para quem, desde sempre, respeita de forma incontestável todas as decisões do Poder Judiciário. Confiamos que ao fim deste processo a Justiça será feita e Marlon será inocentado de todas as acusações”, disse o advogado em nota.

MC Poze do Rodo também está sendo investigado por envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho e por apologia ao tráfico de drogas, ao uso ilegal de armas de fogo, além de incitar confrontos armados entre facções rivais. Em maio deste ano, o cantor foi preso por agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Civil do Rio, mas foi colocado em liberdade cinco dias depois por decisão da Justiça.

O caso de MC Poze do Rodo é mais um exemplo da relação entre o mundo do crime e o mundo do entretenimento no Rio de Janeiro. A polícia e o Ministério Público têm investigado vários casos de envolvimento de artistas e músicos com facções criminosas e tráfico de drogas. A decisão da Justiça de receber a denúncia contra MC Poze do Rodo e outros réus é um passo importante para combating essas práticas e garantir que a justiça seja feita.

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