Exportações de alimentos caem em agosto por causa de tarifaço dos EUA
As exportações de alimentos brasileiras registraram uma queda expressiva em agosto em comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Economia, as vendas de produtos alimentícios para o exterior somaram US$ 6,4 bilhões em agosto, uma redução de 12,1% em relação ao mesmo mês de 2022.
Essa queda é atribuída, em grande parte, ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre vários produtos agrícolas brasileiros. A medida, conhecida como “tarifaço”, foi adotada pelo governo norte-americano como uma forma de retaliar as tarifas impostas pela Europa sobre os produtos americanos.
Impacto sobre os principais produtos de exportação
Os principais produtos de exportação afetados pelo tarifaço dos EUA foram a soja, o milho e o açúcar. A soja, que é o principal produto de exportação agrícola do Brasil, teve uma queda de 23,1% em suas vendas para os EUA em agosto, em comparação com o mesmo período do ano passado.
O milho também foi afetado, com uma redução de 17,1% em suas exportações para os EUA em agosto. Já o açúcar teve uma queda de 14,5% em suas vendas para os EUA no mesmo período.
Consequências para a agricultura brasileira
A queda nas exportações de alimentos pode ter consequências significativas para a agricultura brasileira, que é um setor importante para a economia do país. A redução nas vendas para o exterior pode levar a uma diminuição na produção e no emprego no setor, além de afetar a rentabilidade dos agricultores.
Além disso, a perda de mercado nos EUA pode ser irreparável, pois os compradores americanos podem buscar alternativas em outros países. Isso pode levar a uma perda de competitividade para os produtos agrícolas brasileiros no mercado internacional.
Medidas para mitigar o impacto
Para mitigar o impacto do tarifaço dos EUA, o governo brasileiro tem trabalhado em várias medidas. Uma delas é a diversificação dos mercados de exportação, buscando aumentar as vendas para outros países, como a China e a Índia.
Outra medida é a negociação de acordos comerciais com outros países, como o Mercosul e a União Europeia. Esses acordos podem ajudar a aumentar as exportações brasileiras e reduzir as barreiras comerciais.
Além disso, o governo também tem investido em programas de apoio à agricultura, como o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), que fornece seguro para os agricultores em caso de perdas decorrentes de eventos climáticos ou sanitários.
Conclusão
A queda nas exportações de alimentos em agosto é um desafio para a agricultura brasileira, mas não é um motivo para pessimismo. Com as medidas certas, como a diversificação dos mercados de exportação e a negociação de acordos comerciais, é possível mitigar o impacto do tarifaço dos EUA e manter a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros no mercado internacional. Além disso, o investimento em programas de apoio à agricultura pode ajudar a reduzir os riscos e aumentar a rentabilidade dos agricultores, garantindo um futuro promissor para o setor.
A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) divulgou recentemente um balanço das exportações de alimentos industrializados do país, que mostrou uma queda de US$ 300 milhões em agosto, em comparação com julho, o que representa uma redução de 4,8%. As exportações somaram US$ 5,9 bilhões em agosto, com os Estados Unidos sendo o principal destino, com US$ 332,7 milhões, o que representa uma queda de 27,7% em relação a julho e de 19,9% em relação a agosto de 2024.
A queda nas exportações para os EUA foi influenciada pelo aumento das tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros, além da antecipação dos embarques em julho antes da entrada em vigor da taxação. Os produtos mais afetados foram açúcares, proteínas animais e preparações alimentícias, que registraram quedas de 69,5%, 45,8% e 37,5%, respectivamente.
Já o México apresentou um aumento substancial nas compras de alimentos industrializados brasileiros, com um total de US$ 221,15 milhões, principalmente de proteínas animais. Isso sugere um possível redirecionamento de fluxos e a abertura de novas rotas comerciais, embora ainda seja necessário monitorar para identificar se isso terá caráter estrutural ou apenas conjuntural.
A China, maior comprador de alimentos industrializados do Brasil, adquiriu US$ 1,32 bilhão em produtos, alta de 10,9% em relação a julho e de 51% em relação a agosto de 2024. O mercado externo representa 28% do faturamento do setor.
A perspectiva é que o impacto mais expressivo da tarifa seja sentido no acumulado do ano, com a estimativa de que as vendas de alimentos atingidos pelo tarifaço para o mercado norte-americano acumulem, entre agosto e dezembro, queda de 80%, com perda acumulada de US$ 1,351 bilhão.
Em relação ao emprego, a indústria de alimentos registrou, em julho, 2,114 milhões de postos de trabalho formais e diretos. No comparativo interanual, foram criados 67,1 mil novas vagas, o que representou um crescimento de 3,3%. Além disso, foram abertos 159 mil postos na cadeia produtiva, em setores como agricultura, pecuária, embalagens, máquinas e equipamentos.
O setor de suco de laranja, que não foi taxado, apresentou crescimento de 6,8% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, e queda de 11% frente a julho, em razão da antecipação de embarques.
O presidente executivo da ABIA, João Dornellas, analisa que a queda observada em agosto mostra que o país precisa diversificar seus parceiros comerciais e aumentar sua capacidade de negociação. Além disso, a China reforçou seu papel como mercado âncora, o que sugere que o país deve buscar novas oportunidades de negócios em outros mercados.
Em resumo, a exportação de alimentos industrializados do Brasil apresentou uma queda em agosto, influenciada pela tarifa impostida pelos EUA, mas também apresentou crescimento em outros mercados, como o México e a China. O setor de alimentos é importante para a economia brasileira, gerando empregos e renda, e é necessário que o país busque diversificar seus parceiros comerciais e aumentar sua capacidade de negociação para evitar perdas futuras.
