Os sinistros de trânsito na cidade do Rio de Janeiro estão apresentando uma tendência alarmante de aumento. De acordo com dados apresentados pelo secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, no evento “A violência no trânsito e seus indesejáveis efeitos”, realizado pelo Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) em 23 de setembro, os sinistros de trânsito na cidade somam mais de 20 mil entre janeiro e agosto de 2025. Esse número já supera os registros de todo o ano de 2022 e 2021.

Os números apresentados pela secretaria municipal de Saúde mostram um aumento constante nos sinistros de trânsito nos últimos cinco anos. Em 2021, foram registrados 13.965 sinistros, enquanto em 2022 esse número saltou para 19.625, representando um aumento de 40%. Em 2023, o número de sinistros foi de 24.793, um aumento de 26% em relação ao ano anterior. Já em 2024, foram registrados 32.401 sinistros, um aumento de 30%. Até agosto de 2025, o número de sinistros já alcançou 20.201.

O secretário Daniel Soranz destacou o peso do aumento da frota e dos incidentes com motocicletas na cidade como fatores contribuintes para essa tendência. Em 2021, o Rio de Janeiro registrou 5,8 mil quedas de moto, número que aumentou para 12,4 mil em 2024. Isso tem gerado uma sobrecarga nos serviços de urgência e emergência da cidade, com dezenas de pessoas internadas nos hospitais precisando de cirurgia ortopédica.

Para ilustrar a gravidade da violência no trânsito em relação à saúde pública, o secretário comparou a mortalidade causada por sinistros de trânsito com a provocada pela dengue. Segundo ele, a mortalidade por sinistros de trânsito é dez vezes maior que a causada pela dengue para cada 100 mil habitantes.

No Rio de Janeiro, a Comissão Permanente de Segurança Viária, presidida pela Secretaria Municipal de Saúde e composta por mais 10 órgãos, é responsável por implementar o Plano de Segurança Viária da cidade. O plano tem como meta reduzir as mortes no trânsito em 50% até 2030, alinhado com os objetivos da década de redução de mortes no trânsito proposta pela Organização Mundial da Saúde. Além disso, o plano espera reduzir em até 30% as internações hospitalares de motociclistas até 2030.

O secretário explicou que o plano tem foco nos pedestres, ciclistas, motociclistas e entregadores, com intervenções urbanas que possam ajudar a reduzir os sinistros. Isso inclui a integração intersetorial entre saúde, mobilidade urbana, fiscalização e educação. O plano prevê a requalificação de 60 cruzamentos considerados críticos até 2026, além de ampliar os pontos de controle de velocidade em 40% até 2027. A prefeitura também planeja chegar a todas as escolas municipais até 2028 com campanhas permanentes sobre segurança viária.

O secretário destacou que, além dos óbitos, os sinistros de trânsito também resultam em uma quantidade imensa de sequelas permanentes e amputações, gerando um custo social altíssimo para as famílias, indivíduos e toda a sociedade. É fundamental, portanto, que sejam tomadas medidas eficazes para reduzir a violência no trânsito e proteger a vida dos cidadãos.

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