Brasileiros não resgatam de R$ 10 mil a R$ 50 mil de parentes mortos

Um cenário cada vez mais comum no Brasil é o de familiares que, após a morte de um ente querido, descobrem que há uma quantia significativa de dinheiro não resgatada, seja em conta bancária, seguro de vida ou outros investimentos. De acordo com especialistas, essa quantia pode variar de R$ 10 mil a R$ 50 mil ou mais, e muitas vezes acaba sendo esquecida ou desconhecida pelos herdeiros.

O que acontece com o dinheiro não resgatado?

Quando uma pessoa falece, seus bens e direitos são transferidos aos herdeiros, que podem incluir cônjuges, filhos, pais e outros parentes. No entanto, nem sempre esses herdeiros estão cientes da existência de contas bancárias, seguros de vida ou outros investimentos que o falecido possuía. Como resultado, esses recursos financeiros podem permanecer inativos por anos, até mesmo décadas, sem serem resgatados.

Por que os brasileiros não resgatam o dinheiro?

Existem várias razões pelas quais os brasileiros não resgatam o dinheiro de parentes mortos. Uma delas é a falta de conhecimento sobre a existência desses recursos financeiros. Muitas vezes, o falecido não deixa informações claras sobre suas contas bancárias, seguros de vida ou investimentos, tornando difícil para os herdeiros localizá-los.

Outra razão é a burocracia envolvida no processo de resgate. No Brasil, é necessário seguir um procedimento complexo para resgatar o dinheiro, que pode incluir a apresentação de documentos, como o inventário do falecido, e a realização de procedimentos judiciais. Esse processo pode ser demorado e custoso, o que pode desencorajar muitos herdeiros de prosseguir com o resgate.

Consequências da não resgate

A não resgate do dinheiro de parentes mortos pode ter consequências significativas para os herdeiros. Além de perder a oportunidade de receber uma quantia significativa de dinheiro, os herdeiros também podem ser responsabilizados por dívidas ou obrigações financeiras que o falecido possuía.

Além disso, a não resgate do dinheiro também pode ter implicações fiscais. No Brasil, os herdeiros são responsáveis por pagar impostos sobre a herança, incluindo o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD). Se o dinheiro não for resgatado, os herdeiros podem ser obrigados a pagar impostos sobre uma quantia que nunca receberam.

O que fazer?

Se você é herdeiro de alguém que faleceu e suspeita que há dinheiro não resgatado, é importante tomar medidas para localizar e resgatar esses recursos financeiros. Aqui estão algumas dicas:

  • Verifique se o falecido deixou informações sobre contas bancárias, seguros de vida ou investimentos.
  • Procure a ajuda de um advogado especializado em direito de sucessões para ajudar a localizar e resgatar o dinheiro.
  • Verifique se há dívidas ou obrigações financeiras que o falecido possuía e que precisam ser pagas.
  • Considere contratar um serviço de busca de heranças para ajudar a localizar o dinheiro.

Em resumo, a não resgate do dinheiro de parentes mortos é um problema comum no Brasil, que pode ter consequências significativas para os herdeiros. É importante tomar medidas para localizar e resgatar esses recursos financeiros, e buscar a ajuda de profissionais especializados se necessário.

A perda de um parente próximo pode ter um impacto financeiro significativo nas famílias brasileiras. De acordo com um levantamento realizado pela Planeje Bem, uma plataforma digital de planejamento sucessório e apoio pós-perda, as famílias brasileiras deixam de resgatar, em média, entre R$ 10 mil e R$ 50 mil em benefícios a que o falecido tinha direito. Isso ocorre devido ao desconhecimento em torno de direitos financeiros e sociais, classificados como “ativos invisíveis”.

A principal causa desse prejuízo é a falta de conhecimento sobre os direitos financeiros e sociais do falecido, somada ao luto, à burocracia e à falta de orientação financeira. Muitas famílias se esquecem de resgatar os valores porque não há uma orientação clara no momento do luto. Além disso, a falta de conhecimento sobre os ativos invisíveis e acomplexidade do processo de inventário também contribuem para o esquecimento.

Os ativos mais negligenciados pelas famílias incluem a indenização do Seguro Obrigatório para Proteção de Vítimas de Acidentes de Trânsito (DPVAT), auxílios e benefícios trabalhistas, contas bancárias, investimentos e consórcios, seguros de vida e de acidentes pessoais, seguros corporativos e previdência privada, e pensão por morte do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Além disso, existem outros benefícios menos divulgados, como auxílios-funeral, milhas aéreas e carteiras virtuais e auxílios vinculados a cartões de crédito. Esses recursos podem ser acessados diretamente, sem necessidade de inventário, mas exigem prazos legais e documentação específica.

A Planeje Bem identificou perfis de clientes que mais se esquecem dos ativos invisíveis, incluindo homens entre 25 e 45 anos, que representam 65% a 70% dos casos de esquecimento. Além disso, a faixa etária predominante é de 25 a 45 anos, o que sugere uma necessidade de conscientização na juventude.

As causas do esquecimento incluem o choque das famílias após uma perda inesperada, a falta de conhecimento sobre os direitos financeiros e sociais, e a complexidade do processo de inventário. A diretora executiva da Planeje Bem, Carolina Aparício, atribui a causa do esquecimento ao choque das famílias após uma perda provocada por acidentes de trânsito inesperados.

Em relação aos auxílios trabalhistas, a diretora da Planeje Bem destaca que, caso os herdeiros estejam de acordo, não é necessário esperar o inventário para sacar os valores. Além disso, a criação do Sistema de Valores a Receber (SVR) do Banco Central tem ajudado os herdeiros a reaver os valores, mas o esquecimento do próprio falecido ou direitos adquiridos em casamentos anteriores contribuem para ampliar o desconhecimento.

Em resumo, a perda de um parente próximo pode ter um impacto financeiro significativo nas famílias brasileiras devido ao desconhecimento em torno de direitos financeiros e sociais. É importante que as famílias tenham conhecimento sobre os ativos invisíveis e busquem orientação financeira para evitar o esquecimento de benefícios importantes. Além disso, a conscientização na juventude e a simplificação do processo de inventário podem contribuir para reduzir o prejuízo financeiro das famílias.

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