Título: Clima e foco em exportação explicam alta de alimentos no longo prazo
Nos últimos anos, a alta demanda global por alimentos tem sido um fator que contribuiu para o crescimento significativo do setor agropecuário brasileiro. No entanto, outro fator que não pode ser negligenciado é a variabilidade climática e o foco em exportação dos países produtores de alimentos. Ambas as variáveis exercem um impacto significativo na produção de alimentos e, consequentemente, no aumento do custo final do produto para os consumidores.
A temperatura média global subiu 1,1°C entre 1880 e 2012, segundo dados do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change). Este aumento da temperatura média global tem causado impactos negativos significativos na produção agropecuária, incluindo a mudança no ciclo de cultivo, a variedade de sementes e o rendimento da colheita. De acordo com um estudo da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura), cerca de 20% da produção de alimentos global é afetada negativamente pela mudança climática.
No Brasil, o aumento da temperatura média global é ainda mais acentuado. Segundo dados do_INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial), a temperatura média anual no Brasil aumentou 1,45°C entre 1880 e 2020. Isso tem implicações significativas para a produção de alimentos, pois os principais produtores brasileiros, como o grão, o soja e o milho, são muito dependentes da temperatura e da umidade.
A expansão da agricultura global também é um fator que contribui para a alta de alimentos. Com a redução do custo de produção e transporte, os países produtores de alimentos estão agora capazes de exportar produtos alimentícios em volumes mais grandes e de forma mais barata. Isso resulta em concorrência mais intenso no mercado global e, consequentemente, um aumento do preços dos alimentos.
De acordo com dados do Uruguai, por exemplo, a produção de soja aumentou de 6 milhões de toneladas em 2000 para 11 milhões de toneladas em 2020. O país também é o principal produtor de sorgo da América Latina. A Argentina, outro grande produtor de soja, também registrou um aumento significativo na produção, saindo de 4,5 milhões de toneladas em 2000 para 10,5 milhões de toneladas em 2020.
No Brasil, a expansão da agricultura também é uma realidade. O país é o maior produtor de soja e milho da América Latina e o terceiro maior produtor de grão do mundo. A produção de grãos no país aumentou 15% entre 2015 e 2020, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Em resumo, a alta demanda global por alimentos, a variabilidade climática e a expansão da agricultura são fatores que explicam o crescimento do setor agropecuário brasileiro no longo prazo. Embora a perspectiva seja positiva para os produtores, é necessário uma revisão da estratégia de produção e marketing para que o país possa aproveitar os benefícios da expansão do setor e minimizar os impactos negativos da mudança climática.
Lembre-se de que a sustentabilidade é um conceito fundamental na produção agropecuária. É importante investir em práticas agrícolas sosteníveis, como a rotatividade do solo, a preservação de florestas e a conservação da biodiversidade. Além disso, é fundamental promover uma política ambiental forte e investir em pesquisa e desenvolvimento tecnológico para melhorar a eficiência da produção e reduzir os custos de produção.
Outro ponto importante é a capacitação de pequenos agricultores e produtores rurais para utilizar práticas agrícolas sosteníveis e para aproveitar melhor as oportunidades de mercado. Isso pode ser feitoatravés de programas de capacitação e apoio financeiro para investir em tecnologia e insumos. Além disso, é importante promover a cooperação internacional para desenvolver práticas agrícolas sosteníveis e combater o des 示estiem do clima.
Em resumo, a alta demanda global por alimentos, a variabilidade climática e a expansão da agricultura são fatores que explicam o crescimento do setor agropecuário brasileiro no longo prazo. No entanto, é fundamental que o país priorize a sustentabilidade e investe em práticas agrícolas sosteníveis, promoção efetiva da política ambiental e capacitação de pequenos agricultores e produtores rurais para aproveitar melhor as oportunidades de mercado e minimizar os impactos negativos da mudança climática.
The Brazilian Institute of Economics (Ibre) at the Getulio Vargas Foundation (FGV) has released a report highlighting the factors that have contributed to the increase in food prices in the country. The report, signed by economist Luiz Guilherem Schymura, notes that the production of food in the country has not kept pace with demand, leading to a reduction in the supply of food and subsequent price increases.
According to the report, the high price of food is not a recent phenomenon, but rather a process that has been ongoing for nearly two decades. The Ibre attributes the high prices to a combination of factors, including climate change, the devaluation of the Brazilian currency, and the growing demand for food.
Climate change has resulted in more extreme weather events and increased uncertainty in the production of commodities and food products, affecting various parts of the world, including Brazil. The report notes that the effects of climate change have been apparent since the mid-2000s, with more significant impacts on hotter regions like Brazil.
The devaluation of the Brazilian currency has also contributed to the high price of food. A weakened currency makes exports more attractive and allows producers to sell to other countries, increasing the profit from exports, which in turn encourages the production of crops like soya and corn for export.
The report also highlights the role of internal policies, such as the strong increase in the minimum wage and the expansion of the Bolsa Família program, which have led to increased consumption and greater demand for food products.
The Ibre has also analyzed the impact of these factors on the production of different types of food, including fruits, vegetables, and meats. The report notes that the production of most fruits and vegetables has decreased in Brazil, with the notable exception of soybeans and corn, which are primarily produced for export.
The report concludes that the high price of food is not a temporary phenomenon and recommends measures to ensure food supply and security, such as:
1. Focusing on crops that produce food directly for the Brazilian population.
2. Monitoring production.
3. Rebuilding public stocks.
4. Storage infrastructure.
5. Credit focused on food production.
The report emphasizes that these measures should not restrict the production of crops for export, which, according to Schymura, can provide benefits to the country, such as the influx of foreign currency and the stabilization of the macroeconomic environment. He suggests that the focus should be on increasing the production of food, rather than restricting other areas of the agricultural sector.
Government officials have also taken steps to address the issue of high food prices, with President Luiz Inacio Lula da Silva having suggested “drastic measures” to curb the pressure on high prices. The government has also decided to eliminate the import tax on nine types of foods in an effort to reduce prices.
