Write an article about Tarifaço pode impactar vendas de suco de laranja, café, carne e frutas in Portuguese
A decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA pode ter consequências negativas para o agronegócio brasileiro. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP) alerta que essa medida pode comprometer as receitas do setor, provocar desequilíbrios de mercado e pressionar os valores pagos ao produtor.
Os principais produtos brasileiros que podem ser afetados pela tarifa são o suco de laranja, o café, a carne bovina e as frutas frescas. O suco de laranja é considerado o produto mais sensível à tarifa, pois já paga uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada e a aplicação de uma sobretaxa de até 50% elevaria significativamente o custo de entrada nos EUA.
Os EUA importam cerca de 90% do suco de laranja que consomem, e o Brasil é responsável por aproximadamente 80% desse total. A instabilidade no mercado pode levar a um acúmulo de estoques e pressionar as cotações internas. Além disso, a boa safra no estado de São Paulo e no Triângulo Mineiro pode ser comprometida pela tarifa.
O café também pode ser afetado, pois os EUA são o maior consumidor global do produto e importam cerca de 25% do café brasileiro. A elevação do custo de importação pode comprometer a viabilidade da cadeia interna de torrefação e abastecimento nos EUA.
A carne bovina também pode ser afetada, pois os EUA são o segundo maior comprador da carne bovina brasileira. As empresas estadunidenses adquiriram volumes recordes de carne bovina em março e abril, o que pode indicar uma possível movimentação de formação de estoque diante do receio de que Trump viesse a aumentar as tarifas.
As frutas frescas, especialmente a manga e a uva, também podem ser afetadas pela tarifa. A janela crítica de exportação da manga começa em agosto, e já há relatos de postergação de embarques frente à indefinição tarifária.
Diante desse contexto, o Cepea considera urgente uma articulação diplomática coordenada para revisar ou excluir as tarifas sobre produtos agroalimentares brasileiros. Isso é estratégico não apenas para o Brasil, mas também para os EUA, que dependem do fornecimento brasileiro para garantir a segurança alimentar e a competitividade da agroindústria.
Os pesquisadores do Cepea destacam que os frigoríficos brasileiros têm a possibilidade de ampliar suas vendas para outros mercados, como a China, que concentra 49% do total de exportações de carne bovina do Brasil. Além disso, a valorização cambial e a recomposição produtiva de diversas culturas podem sustentar o crescimento de exportações de frutas frescas.
No entanto, a tarifa pode levar a um desequilíbrio entre oferta e demanda nos principais destinos, pressionando as cotações ao produtor. Por isso, é fundamental uma articulação diplomática eficaz para minimizar os impactos negativos da tarifa e garantir a competitividade do agronegócio brasileiro.
Em resumo, a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros pode ter consequências negativas para o agronegócio brasileiro, especialmente para o suco de laranja, o café, a carne bovina e as frutas frescas. É urgente uma articulação diplomática coordenada para revisar ou excluir as tarifas e garantir a competitividade do setor. Além disso, os frigoríficos brasileiros devem buscar alternativas para minimizar os impactos negativos da tarifa e garantir a sustentabilidade do agronegócio.
