Milhares de pessoas se reuniram na noite de quinta-feira (10) na Avenida Paulista, em São Paulo, para participar de uma manifestação que pedia a taxação dos super-ricos, o fim da escala de trabalho de seis dias por um de descanso (6×1) e condenava a tarifa aplicada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil. A manifestação, intitulada “Centrão, Inimigo do Povo”, foi organizada pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, com o apoio de centrais sindicais e movimentos sociais.
O ato começou às 18h em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) e rapidamente ocupou e fechou os dois sentidos da avenida no quarteirão em frente ao Parque Trianon. Além disso, os manifestantes também ocuparam uma parte do quarteirão seguinte, onde está localizada a sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Políticos como Érika Hilton, Eduardo Suplicy, Rui Falcão e Nabil Bonduki estiveram presentes no local.
Em entrevista coletiva, o deputado federal Guilherme Boulos destacou que a manifestação pode ser considerada o maior ato do ano no local. “É um ato em defesa do Brasil contra as agressões de Donald Trump e um ato em defesa do povo brasileiro”, ressaltou. Boulos também enfatizou que o ato pedia a taxação dos mais ricos e o fim da escala 6×1, destacando que essas pautas enfrentam forte resistência no Congresso Nacional.
Um dos principais temas do protesto foi a taxação dos chamados “BBBs” (bancos, bets e bilionários), que segundo os organizadores do ato, enfrenta forte resistência no Congresso porque a grande maioria dos parlamentares são empresários ou fazendeiros e seriam afetados diretamente por essas medidas. Além disso, os manifestantes também protestaram contra a decisão do Congresso Nacional em revogar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que poderia gerar uma arrecadação adicional de R$ 20 bilhões em 2025.
A coordenadora da Frente Povo Sem Medo, Juliana Donato, destacou que o ato foi convocado por conta da indignação com a maioria do Congresso Nacional que está querendo governar no lugar do governo. “Nós estamos dizendo que nós estamos querendo taxar os bilionários e eles estão querendo taxar o Brasil”, completou. Donato também destacou que o ato foi realizado em conjunto com o Plebiscito Popular, uma consulta pública para saber a opinião de trabalhadores sobre a escala 6×1 e sobre a taxação dos super-ricos.
O presidente estadual da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Raimundo Suzart, destacou que o ato se tornou ainda mais importante após a taxação aplicada por Trump. “Queremos mandar um recado para esse Congresso, para uma parte desse Congresso que está se opondo aos trabalhadores”, disse. Suzart também enfatizou que o ato pedia a volta da cobrança do IOF, a redução da jornada sem redução de salário e a garantia do fim da escala 6×1.
Durante o ato, os manifestantes coletaram assinaturas para o Plebiscito Popular. Segundo Juliana Donato, o plebiscito é uma consulta popular que busca ouvir a opinião de trabalhadores sobre a escala 6×1 e sobre a taxação dos super-ricos. “A gente quer atingir milhões de brasileiros”, disse. “Queremos ouvir a população brasileira sobre esses dois temas porque não adianta o Congresso ficar lá legislando sem ouvir o povo”, explicou.
De acordo com o Monitor do Debate Político, um projeto desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP) com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e a ONG More in Common, o ato contou com 15,1 mil pessoas no horário de pico, com margem de erro de 12%, o que significa que o público presente pode ter variado entre 13,3 mil e 16,9 mil pessoas. Esse foi um público superior ao registrado no ato Justiça Já, promovido no último dia 29 de junho, que contou com a presença de 12,4 mil pessoas.
Em resumo, a manifestação na Avenida Paulista foi um sucesso e contou com a participação de milhares de pessoas que pediam a taxação dos super-ricos, o fim da escala 6×1 e condenavam a tarifa aplicada por Trump. O ato foi organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo sem Medo e teve o apoio de centrais sindicais e movimentos sociais. A manifestação também contou com a coleta de assinaturas para o Plebiscito Popular, que busca ouvir a opinião de trabalhadores sobre a escala 6×1 e sobre a taxação dos super-ricos.
