De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 29,5% dos aproximadamente 77 milhões de domicílios no Brasil não têm ligação com a rede geral de esgoto. Isso representa três em cada dez residências. Em 2019, o país tinha 68% dos lares ligados à rede geral e 32% sem ligação.

O levantamento mostra que o grupo de 70,4% dos domicílios com acesso à rede geral inclui os endereços com ligação do banheiro a uma rede coletora e ainda as residências com fossa séptica ligada à rede. Já 15,1% dos domicílios têm fossa séptica não ligada à rede, e 14,4% têm outro tipo de esgotamento, incluindo fossa rudimentar, vala ou córrego.

Os dados do IBGE também apontam diferenças regionais em relação ao tipo de esgotamento dos domicílios. A Região Sudeste supera a média nacional, com 90,2% dos domicílios ligados à rede geral. Já as piores condições são encontradas no Nordeste e no Norte, com 51,1% e 31,2% dos domicílios ligados à rede geral, respectivamente.

No Norte, a classificação “outro tipo” de esgotamento, que inclui casos como fossa rudimentar, vala ou córrego, chega a 36,4%, sendo a mais comum na região e mais que o dobro da média nacional. As unidades da federação com as piores proporções de ligação de esgoto à rede geral são Piauí (13,5%), Amapá (17,8%), Rondônia (18,1%) e Pará (19,3%).

Ao dividir o Brasil em urbano e rural, o IBGE constata que, nas cidades, 78,1% dos domicílios têm esgoto ligado à rede, enquanto no campo apenas 9,4% têm essa ligação.

A Pnad também analisou a forma como os lares brasileiros recebem água. No país, 86,3% das residências têm rede geral de distribuição como principal forma de abastecimento. No entanto, o Norte e o Nordeste têm os piores índices, com 61,7% e 80,6% dos domicílios com rede geral de distribuição, respectivamente.

Rondônia é o único estado do país onde menos da metade (47,4%) dos domicílios tem rede geral como principal forma de abastecimento. São Paulo (96,6%) e Distrito Federal (96,5%) ostentam os maiores percentuais.

Além disso, o IBGE identificou qual parcela dos domicílios tem disponibilidade diária da rede de água, ou seja, consegue receber água todos os dias. No Brasil, são 88,4% dos lares. Pernambuco (44,3%) e Acre (48,5%) têm menos da metade dos domicílios ligados à rede com disponibilidade diária.

A pesquisa do IBGE também mostra que 86,9% dos domicílios brasileiros contam com serviço de coleta de lixo. No entanto, no Norte (14,4%) e no Nordeste (13,1%), a parcela de residências que colocam fogo no lixo é maior que o dobro da média nacional.

Finalmente, o levantamento mostra que o Norte do país diminuiu a distância em relação às outras regiões relacionadas à característica estrutural dos domicílios. No país, 89,3% das residências têm paredes construídas predominantemente de alvenaria (tijolo e cimento) com revestimento. No Norte, de 2016 para 2024, essa parcela passou de 61,5% para 71,2%.

Em relação ao material predominante no piso, no intervalo de oito anos, os lares nortistas que contam com cerâmica, lajota ou pedra passaram de 58,2% para 69,3% do total da região. No país como um todo, são 82,3%. Esses dados demonstram as desigualdades regionais em relação às condições de saneamento e habitação no Brasil.

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