A Ocupação Matilha Cultural, localizada na capital paulista, está recebendo a mostra “Reformar – políticas de drogas, Restaurar – direitos e Recuperar – natureza”, que tem como objetivo estimular o público a reconhecer a relação entre as pautas ambientais e as relacionadas aos narcóticos, à segurança pública, ao racismo e à arte. A mostra foi concebida no âmbito do projeto Intersecção, que é articulado pela Iniciativa Negra e a Coalizão Internacional pela Reforma da Política de Drogas e Justiça Ambiental.

A mostra contém uma exposição fotográfica sobre a Cracolândia, região da capital paulista conhecida por conta da quantidade de usuários de drogas, e sessões de cinema no Cine Matilha, com a exibição de filmes relacionados aos temas da mostra. As fotos são do mexicano Yael Martinéz e do brasileiro Rafael Vilela, ganhador do POY-Latam 2025, importante premiação de fotografia documental.

Além disso, o público poderá participar de rodas de conversa com especialistas e estudiosos, oficinas e debates. A mostra apresenta arquétipos dos locais onde se produz e se consome a cocaína na América Latina, com o objetivo de esclarecer o que está em cena atualmente. Um dos pontos de partida é a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorre em novembro, em Belém.

A curadoria da mostra chegou a dez arquétipos, que são relatos de personagens de diferentes contextos e lugares ao longo das regiões que integram a cadeia de valor da coca e da cocaína na América Latina. Esses arquétipos incluem uma planta de coca, uma coletora de coca afroboliviana, uma defensora de terras indígenas, o Rio Amazonas, uma pessoa que trabalha em um laboratório de cocaína, uma ribeirinha, a onça-pintada, um vendedor de drogas, um usuário de cocaína e uma fiscal da autoridade portuária.

A segurança pública é um dos principais desafios da atualidade, com as facções que enriqueceram com o tráfico de drogas ilícitas. A América do Sul é a região que abastece a produção mundial da droga, o que a torna um local atraente para os narcotraficantes. De acordo com a militante Rebeca Lerer, coordenadora do Intersecção, “é como se as facções brotassem do nada. A gente sabe que elas se capitalizaram muito em cima das drogas proibidas”.

Lerer afirma que algumas pontas dessas temáticas ainda ficam soltas, o que impede o país de avançar. “Acho que tem muito trabalho acadêmico que diagnostica os sintomas, os efeitos, as consequências: o encarceramento, a violência policial, a corrupção de agentes públicos, mas não foca nas causas. E uma das causas é a política de proibição, que, nitidamente, só tem como principal resultado esse mercado transnacional armado e extremamente poderoso, cada dia mais”.

O trabalho do Intersecção é tentar mudar o eixo para essa discussão, sair desse debate de “se usar droga é bom ou ruim”, “se é certo ou errado”, porque para isso cada um pode ter sua opinião, mas isso não muda o fato de que essa política não está funcionando. Nem para proteger as pessoas, nem para proteger as instituições, os territórios, nem para impedir que esse dinheiro sirva para fortalecer essas organizações criminosas.

A mostra “Reformar – políticas de drogas, Restaurar – direitos e Recuperar – natureza” também terá apresentações de diversos artistas, como o rapper Dexter, o grupo Pagode na Lata, Linn da Quebrada, Família Tamarineira, DJ KL Jay, Ti.ram.ba.ço e a banda Aláfia. A jornalista Cecília Olliveira vai lançar seu livro “Como nasce um Miliciano” no dia 1º de novembro, às 19h.

A programação completa e a retirada de ingressos gratuitos para as atividades podem ser conferidas no site da Matilha Cultural. Para as atividades realizadas no espaço do Cine Matilha, a retirada de ingressos será por ordem de chegada. A mostra “Reformar – políticas de drogas, Restaurar – direitos e Recuperar – natureza” está aberta ao público até 22 de novembro, das 14h às 20h, de terça a domingo, com visitas monitoradas das 14h às 20h, de terça a sábado. A entrada é gratuita, e menores de 18 anos devem estar acompanhados de um responsável. A Matilha Cultural também oferece acessibilidade para pessoas com locomoção restrita.

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