A sobrevivente do Holocausto, Rolande Fichberg, de 85 anos, assistiu recentemente ao gesto do bilionário empresário Elon Musk, que imitou o gesto do regime nazista que matou muitos de seus familiares. Ela afirma que não pode passar incólume e que é importante denunciar e combater esses atos. “Não é meu desejo assistir um ato igual ao que foi feito, a apologia ao nazismo. Mas isso acontece e a gente tem que combater”, disse.

A cerimônia em memória das vítimas do Holocausto e pela libertação dos prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz, que ocorreu no Palácio da Cidade do Rio de Janeiro, marca o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. Auschwitz foi uma das principais áreas de concentração nazistas, onde mais de 1,2 milhão de pessoas morreram.

Rolande Fichberg viveu a perseguição nazista de perto. A avó e seis tios foram presos em Auschwitz e morreram ou não sobreviveram às sequelas deixadas. Ela relembra que muitos morreram sem saber por que, apenas por serem judeus. O evento reuniu autoridades, sobreviventes do Holocausto e seus descendentes, políticos e autoridades eclesiais.

O presidente da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro, Bruno Feigelson, defendeu a importância de preservar a memória das vítimas para que o Holocausto não seja esquecido e isso não se repita em nenhum lugar do mundo. Ele também ressaltou a importância do Brasil para os judeus.

O Cônsul-Geral da República Federal da Alemanha, Jan Freigang, afirmou que a Alemanha assume a responsabilidade pelo Holocausto e pela preservação da memória para que isso não volte a acontecer. Ele também chamou atenção para os riscos atuais da disseminação de ideias e ideais extremistas e apologias ao nazismo.

Durante a cerimônia, sete velas foram acesas por sobreviventes, autoridades políticas, líderes religiosos e jovens. Ana Bursztyn Miranda, uma das presas políticas durante a ditadura no Brasil, defendeu a necessidade do Brasil assumir também o que foi feito durante a ditadura, como a Alemanha assume a responsabilidade pelo Holocausto.

A memória do Holocausto é consagrada hoje porque o nazismo foi derrotado, o Terceiro Reich foi condenado pela memória histórica. A verdade apareceu, a justiça em grande parte foi realizada em tribunais públicos. No entanto, há relatos de que o Brasil não tem normalizado a memória da ditadura e que não houve reparação financeira e moral às vítimas.

A luta por justiça e reparação é uma questão que ainda é trabalhada. A cerimônia no Palácio da Cidade do Rio de Janeiro foi um exemplo disso, onde se reuniu a sociedade para lembrar das vítimas do Holocausto e para combater a apologia ao nazismo.

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