Resumo em 600 palavras para o Brasileiro:
A escola de samba Paraíso do Tuiuti, uma das agremiações que irá se apresentar no final da temporada, no Sambódromo, terá como enredo a história de Xica Manicongo, considerada a primeira travesti do Brasil. A escola, que tem o costume de apresentar enredos questionadores, escolheu Xica Manicongo por ser uma figura importante no combate ao preconceito e ao direito das pessoas trans e travestis ter a vida que desejam.
O carnavalesco da escola, Jack Vasconcelos, disse que a escolha do enredo é uma questão de respeito à pessoa que Xica Manicongo foi e é. “Além do carnavalesco, da pessoa que trabalha, tem alguém olhando para o ser humano. A escolha desse tema fala com a gente dessa forma, fala direto para o ser humano, e essa personagem está trazendo uma oportunidade de falar da transcestralidade, da importância.”
Xica Manicongo foi escravizada no Congo e trazida para Salvador, na Bahia, onde foi forçada a se vestir com roupas identificadas como masculinas e não podia demonstrar o seu pensamento. Segundo Jack Vasconcelos, Xica Manicongo recusou-se a renunciar sua ancestralidade, sua identidade e foi denunciada à Santa Inquisição em Salvador. Ela foi acusada de sodomia e de bruxaria, porque não entendiam sua religião.
O enredo também aborda a vida de Xica durante o período em que esteve no Brasil, quando ela trabalhava com um sapateiro e se vestia com roupas masculinas durante o dia, mas à noite se vestia com saia e se sentia livre. Com o Passar do tempo, Xica Manicongo foi encarregada e foi presa.
A escola de samba Paraíso do Tuiuti buscará avaliar a vida de Xica Manicongo em diferentes aspectos, como a luta pela identidade, a aceitação e a religião. Segundo Jack Vasconcelos, o enredo também busca direcionar a atenção para as pessoas trans e travestis que estão sofrendo preconceito e perseguição em todo o mundo.
A escola também criou um elenco multicultural para a representação de Xica Manicongo, composto por quatro mulheres trans e travestis que personificarão a heroína no desfile. A cantora trans Hud Burk, uma das representantes, disse que está feliz em ter sido escolhida para fazer parte da escola e que a participação ocorre em um momento histórico. “Quando que a gente ia imaginar, que uma mulher trans, que viveu vários percalços na vida, que foi ameaçada, foi morta à queima-roupa, não teve nem oportunidade de se defender, nem de ser realmente quem sempre foi, mas foi uma mulher corajosa e que abriu espaços e caminhos para que hoje tantas outras estivessem aqui.”
