As quedas entre idosos são um grave problema de saúde pública, podendo levar a ferimentos e fraturas sem maiores consequências e, em alguns casos, reduzir a mobilidade ou até provocar a morte. Para evitar essas quedas, é recomendado que os idosos realizem anualmente testes de equilíbrio e de mobilidade em suas consultas de rotina.
No entanto, um estudo recente publicado na revista BMC Geriatrics apontou que o teste atual, que consiste em permanecer por 10 segundos em ao menos uma das posições, pode não ser suficiente para identificar problemas de equilíbrio ou de mobilidade. O estudo, realizado pelo Laboratório de Avaliação e Reabilitação do Equilíbrio (L.A.R.E.) da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), foi realizado com 153 pessoas entre 60 e 89 anos e apontou que o teste pode ser mais efetivo quando o indivíduo consegue ficar em apenas duas das posições mais desafiadoras (tandem ou unipodal) e por 30 segundos em cada uma delas.
O estudo também mostrou que os voluntários que caíram foram capazes de permanecer na posição unipodal por um tempo médio de 10,4 segundos e, na segunda posição tandem por 17,5 segundos, tempo superior aos 10 segundos com que ele é feito atualmente. Já os voluntários que não caíram conseguiram se manter na posição unipodal por 17,2 segundos e na tandem por 24,8 segundos.
A coordenadora do estudo, Daniela Cristina Carvalho de Abreu, defendeu que o teste de equilíbrio proposto é simples e pode ser realizado em apenas duas posições, em espaços pequenos e sem a necessidade de equipamentos especializados. Ela também destacou que o teste pode ser executado por qualquer profissional de saúde, após uma capacitação básica.
A inclusão desse teste na Atenção Básica e em consultas com especialistas pode ajudar a prever e prevenir quedas futuras, defendeu a pesquisadora. Além disso, o estudo destaca que, além dos testes de equilíbrio, é importante fazer avaliações mais detalhadas para entender se o desequilíbrio está associado a fraqueza muscular, comprometimento sensorial ou problemas articulares, entre outros.
Em resumo, o estudo sugere que o teste de equilíbrio atual pode não ser suficiente para identificar problemas de equilíbrio ou de mobilidade e que um teste mais amplo, que inclua posições mais desafiadoras e tempo mais prolongado, pode ser mais eficaz para prever quedas futuras. Além disso, a inclusão desse teste na Atenção Básica e em consultas com especialistas pode ajudar a prevenir quedas e promover o envelhecimento saudável.
