No ano passado, o delator Vinícius Lopes Gritzbach foi morto com tiros de fuzil no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, após delacar policiais e membros da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a diretora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Ivalda Aleixo, a motivação foi a delação do Vinícius, que não apenas expunha a corrupção do esquema, mas também nomeava donos do PCC envolvidos na lavagem de dinheiro.
De acordo com a delegada, o delator também aplicava golpes em alguns membros do PCC, ganhando criptomonedas que não era mais capaz de devolver após a aplicação. Ainda assim, mesmo após sua morte, sua viúla não dispõe de fundos para utilizar, tendo apenas bens a venda.
Vinícius fazia um acordo de delação com o Ministério Público do Estado de São Paulo desde março de 2024 e havia entregaado informações confidenciais sobre o caso. Embora o conteúdo da delação seja sigiloso, alguns trechos já foram encaminhados para a Corregedoria da Polícia que, no fim de outubro, começou a ouvir testemunhas e reunir provas do crime.
Ivalda Afonso explicou que o assassinato de Gritzbach foi um crime de mando e pagamento, envolvendo um grande quantidade de dinheiro para que o golpe fosse realizado. Ademais, há indícios de que um valor havia sido oferecido pela morte do delator e foi passado através de vários indivíduos até atingir o policial militar que foi preso nesta semana.
O Ministério Militar da Corregedoria da Polícia Militar prendeu o soldado suspeito de participar do homicídio no aeroporto. Além disso, a Secretaria de Segurança Pública apurou que militares em serviço, aposentados e ex-institucionalizados beneficiaram membros da facção criminosa evitando prejuízos financeiros ou prisões, incluindo líderes da PCC e até mesmo pessoas sendo procuradas pela justiça. Os policias também providenciavam escolta clandestina para os criminosos, incluindo Gritzbach.
